Redes e Comunicação: Uma química delicada

Fui convidada para um talk show com o jornalista Heródoto Barbeiro para o lançamento de seu livro “Crise e Comunicação Corporativa”. Junto comigo, Rosana Monteiro, sócia da Ketchum Estratégia e Ciro Dias, sócio da Imagem Corporativa. Além de nós, Anahi Guedes, da Comunicação da Nestlé, deu o tom corporativo e mostrou os desafios modernos que as marcas enfrentam na sua comunicação.

O tempo todo a conversa girou em torno dos efeitos da tecnologia na comunicação das empresas, nas comunidades onde atuam. E entenda-se por comunidade não apenas aquelas ditadas por uma configuração geográfica e física, mas também, e sobretudo, as criadas na internet. Com exemplos e cases, todos nós concordamos em alguns pontos:

1 – as empresas já não se bastam, elas entenderam que precisam estar mergulhadas na comunidade a que pertencem e que a internet é uma das maneiras mais eficazes de se fazer isso. Ainda há muita insegurança sobre como fazer e quando fazer, mas não vacilam mais sobre a importância desse mergulho;

2 – encastelar-se em seus domínios também não funciona. Se antes manter-se recluso poderia sinalizar um certo poder para as empresas, hoje pode representar perda de competitividade;

3 – ao definir o que entende por “comunidade” e depois reconhecer os seus atores, a empresa precisa conversar com eles, e conversar exige novos hábitos, como por exemplo, o hábito de ouvir, além de falar;

4 – a marca vencedora é a que enxerga em seus públicos uma comunidade organizada, que sabe o que quer, exigente e participativa. Ganha a empresa que conseguir ver no seu consumidor um coautor de seus conteúdos, produtos e serviços.

Essas são algumas das mudanças forjadas pelas redes sociais com as quais as empresas têm que conviver. Ouvir esse novo consumidor e entender o que ele quer e espera da empresa, é essencial para a sobrevivência das marcas nas mentes e corações de seus públicos.

Este olhar de fora para dentro, da floresta para a árvore, tem que fazer parte das estratégias de comunicação das empresas, algumas delas ainda mais preocupadas em garantir obediência cega de seus consumidores.

Como diz Silvio Meira, cientista criador do C.E.S.A.R (Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife), a inovação não está do lado de dentro das corporações, ela está nas redes por onde flui a conversação, as ideias. Diz ele: “na economia do conhecimento, 98% de todo mundo que interessa aos negócios está do lado de fora da empresa”.

E o processo de comunicação deve acompanhar essa visão oxigenada, arejada e buscar os caminhos para garantir a boa química com o mundo das redes sociais.

Você também pode gostar desses posts

Envie seu comentário

Nome

Email

Mensagem

Regras para comentários

Reservamos o direito de não publicar comentários que estejam fora do contexto do blog, tenham origem duvidosa, conteúdo ilegal, ofensivo, calunioso, difamatório, injurioso ou que incite à violência ou se caracterizem como spam.

Código: