O vício do clique

O que era para ser um instrumento de trabalho pode ter virado uma doença para alguns. Com receio de que isso possa se tornar uma tendência, o Hospital das Clínicas de São Paulo criou um grupo de médicos dedicado a estudar os graus de dependência da internet. Já há casos que preocupam, como um menino que chegou a passar 40 horas diretas na frente do computador, sem se dar conta disso! Esses médicos cuidam dos chamados Transtornos de Impulso e dizem que já são 4 milhões de viciados no mundo virtual.

É um vício, mesmo? É apenas um hábito? Pode ser tratado?

Veja a matéria da Globonews e dê sua opinião.

Prazer 20 anos depois…

A professora se baseia num estudo feito por Helen Fisher, antropóloga e Lucy Brown, neurocientista, que contradiz a chamada “sabedoria popular” de que o envolvimento e a empolgação pelo cônjuge/namorado(a) tem data de validade próxima à 18 meses. Essa expectativa, diz a professora, tinha por base um estudo parcial de 10 anos atrás que acabou mostrando, “de forma apressada”, segundo ela, algumas mudanças no metabolismo de serotonina que se alterava em casais que conseguiam sobreviver ao prazo de um ano e meio de relacionamento.

A paixão era vista como um vício, “um estado elevado de motivação, no qual fazemos o que for preciso para obter mais uma dose do nosso objeto de desejo”. E isso, segundo a própria Helen Fisher, motivaria o casal a achar sempre espaço no dia para estar juntos, passar noites acordados, atravessar a cidade a pé, etc. “Tudo para ficar próximo à pessoa amada”. Até aí, diz ela, tudo bem. A teoria continua válida. O que ficou ultrapassado pelos últimos estudos é a visão de que isso acabaria murchando porque deixaria o sistema de recompensa do cérebro “habituado” e querendo sempre mais, o que acabaria se autoconsumindo e se extinguindo. Daí a idéia de que 18 meses bastariam para acabar com a novidade e com o chamado “tesão”.

Pois bem, essa teoria fica na página virada da história das relações humanas. A autora reproduz a tese de Helen Fisher que diz que a paixão pode até ter efeitos semelhantes ao de um vício, mas decididamente não é porque “não destrói a capacidade de prazer do cérebro”, nem mesmo nos casais com 20 anos de relacionamento. O segredo é identificar e alimentar o que ela chama de “chama cerebral da paixão” (ou do entusiasmo) e para isso não há regras. Cada casal pode e deve descobrir por si só onde está a sua chama, aquilo que os une de verdade, apesar das intempéries a que relações de longa duração estão sujeitas.

A segunda conversa

Encarar mais de um interlocutor, numa palestra ou numa simples apresentação e saber que todos estão olhando e dedicando sua atenção a você pode intimidar qualquer comunicador. Natural que seja assim, mas passa a ser um problema quando a intimidação vira armadilha. Nick Morgan, da Public Words, empresa especializada em coaching em comunicação, mostra num artigo para a HBR (Harvard Business Review) o que a ciência nos ensina sobre como o cérebro percebe e processa a comunicação. De acordo com ele, entendendo isso poderemos vencer a paralisia que o ato de falar em público nos provoca.

A mensagem oral é tão importante quanto a não-verbal ou o que ele chama de “segunda conversa”. “Se a mensagem oral não casa com a linguagem corporal, quem ouve invariavelmente vai responder à mensagem não-verbal” antes de ouvir e entender a mensagem oral. E ele explica: “gestos valem mais do que palavras”. Ou seja, não basta você ter um brilhante e consistente conteúdo e estar disposto a olhar a platéia diretamente nos olhos e despejar a sua verdade. Se você não cuidar da linguagem corporal – a segunda conversa – com o mesmo carinho e atenção que você cuida do conteúdo da apresentação, sua credibilidade pode ficar comprometida logo no início.

Improvisar é arte para poucos! E, mesmo assim, merece atenção. “Por estar numa situação estressante e sem preparo, a pessoa vai parecer desorientada. Seja qual for a mensagem transmitida por suas palavras, dará a impressão de estar aprendendo à medida que avança – o que dificilmente despertará a confiança de um líder”, adverte o autor.

Mas, atenção. Os gestos ensaiados tão pouco geram confiança. A neurociência descobriu que “no ser humano aquela segunda conversa, a não-verbal, começa primeiro, logo depois que uma emoção ou um impulso são ativados no cérebro, mas antes que tenham sido articulados”, diz Nick Morgan. Os gestos espontâneos, naturais, indicam para o cérebro de quem ouve e vê, o que a pessoa dirá a seguir. “As palavras são a explicação pós-fato de nossos gestos”, diz ele. E dá exemplos: “(…) Afirmação, contradição e comentários surgem primeiro em gestos. Assentimos veementemente, balançamos a cabeça, reviramos os olhos – e tudo isso expressa nossa reação de modo mais imediato e eloquente do que palavras”.

São frações de segundo dos quais podemos nos prevalecer para ganhar a confiança dos interlocutores. Vai tentar?

Nosso quinhão

Você sabia que nos EUA as agências de RP (relações públicas) faturam U$ 1 para cada US$ 53 que ficam com as agências de publicidade? E você sabia que aqui no Brasil as agências de Comunicação Corporativa faturam R$1 bilhão para cada R$28 bilhões de investimento em mídia? E que desse R$1 bi, cerca de 90% ainda vem só da iniciativa privada?

Ou seja, a relação, que já é significativa sem a iniciativa pública investir no trabalho de Comunicação Corporativa, deve melhorar muito agora que os governos começaram a olhar com interesse e atenção a relação custo-benefício que as agências de comunicação podem representar para suas imagens e reputação.