Yes, he can… a mensagem é o meio
Publicado em Líderes, em 22.01.2009 | - Sem Comentários
Ao contrário da pompa e circunstância que têm cercado as posses dos presidentes anteriores, onde a forma tinha lugar de destaque em detrimento das mensagens claras e diretas, as intenções da administração Obama ficaram claras e perceptíveis por todo o planeta, antes mesmo do discurso. Ele conseguiu antecipar o conteúdo do discurso, no formato dado às cerimônias e rituais que o antecederam. A comunicação não verbal foi muito forte e coerente com tudo o que ele vinha falando na campanha e com tudo o que ele, depois, reafirmou no discurso de posse.
Obama e sua equipe trabalharam bem a percepção desejada pela nova administração, em cada detalhe, em cada passo. Foi uma cerimônia sem sinais de poder supremo, apesar de seu presidente ocupar o posto mais alto no mundo; de gestos contidos, apesar de espontâneos e alegres; sem sinais de ressentimentos, apesar de ser o primeiro presidente negro que os americanos elegem; sem a preocupação de parecer diferente, apesar de ser inovador.
O jeito de vestir, de titubear no juramento, a escolha da Bíblia usada, o jeito de andar de mãos dadas com a esposa (Bush nem sequer conseguia abrigar o braço da esposa no próprio braço que permaneceu duro, esticado, indiferente), o sorriso espontaneamente correto, na hora certa, tudo isso já contava o jeitão Obama de ser, independentemente do discurso.
E quando veio o discurso, já meio previsível, a percepção criada na campanha foi confirmada pelas palavras e pela linguagem não verbal inicial da cerimônia. E mais, ela foi ampliada pelo tom usado e pela informação, divulgada com inteligência, de que todo o discurso foi criado por duas cabeças – a do presidente e a de um jovem de 27 anos.
Não parece, mas isso por si só, é uma informação muito importante porque sinaliza o que Obama pretende, confirmando, mais uma vez sua postura e os meios escolhidos na campanha: atingir os jovens, oxigenar o país, apostar no futuro. “Yes, he can”…essa foi a impressão que ele passou. Ele pode abrigar os mais velhos com discurso e postura de quem lutou muito para chegar onde ele chegou, e abraçar os jovens com a postura ousada e transparente. Não é uma coincidência ele ficar famoso pelo uso inteligente da imagem na campanha e na posse.













