As Novas Mídias: Quando Mais Pode Ser Menos
Publicado em Mídia Web, em 28.12.2010 | Tags: internet,novas mídias,tecnologia - Sem Comentários
Estamos todos, cidadãos modernos, passando pela mesma fase difícil de descobertas e adaptação ao mundo digital. Sair de uma relação confortável com a velha e boa mídia, e passar para um novo tipo de relacionamento, ainda a ser construído com as chamadas “novas mídias”, exige esforço, coragem e visão.
Até então, a informação vinha sendo controlada, centralizada nas mãos de poucos, o que, por um lado, significava um reforço do poder de quem a detinha, e, por outro, criava um elo de dependência neurótica com quem a consumia.
Essa dependência ainda se faz notar. Tomar decisões, formar opinião, situar nosso rumo era mais fácil quando tínhamos um “pai” – a velha mídia – que nos orientava e nos mostrava as verdades a serem consumidas. Hoje o peso da tomada de decisão é maior porque cai inteirinho sobre os nossos ombros, e em condições nem sempre favoráveis.
Como aponta o PhD em comunicação digital, Luli Radfahrer, “a conquista das liberdades – de expressão, de escolha, de caminho pessoal e profissional – trouxe com elas a responsabilidade por decisões cada vez maiores, tomadas com cada vez mais pressa e com cada vez menos fundamento”. Pois é, com as novas mídias há o risco de nos sentirmos órfãos. Estamos convivendo com a sensação de termos perdido o “pai”, o orientador e ganhado uma profusão imensa de padrastos, todos cheios de opiniões e certezas… Como as “certezas” são infinitas, a escolha é, como diz o professor Radfahrer, pela paralisia. Perdidos no meio de uma imensidão de informações e direções preferimos nos calar, nos omitir, fingir de morto…
Não há mais diferença entre quem escreve e quem consome o que foi escrito. “Essa mágica se perdeu”, diz o professor. Esta linha entre quem produz e quem consome a informação está cada vez mais tênue e ajuda a ampliar a sensação de orfandade. “…Muitos ficam à deriva, à espera de que alguma voz firme lhes diga o que fazer, como se comportar, o que consumir”.
O receio do professor, como também é o meu, é que a nova mágica do 2.0, que felizmente democratizou o acesso e a produção da informação, possa se virar contra si mesma, provocando a desinformação e a paralisia exatamente pelo excesso de informação.
Bem, o que pode ser um risco, também pode ser uma oportunidade, principalmente para quem, como nós, tem o papel de interpretar diariamente essa fase de formatação do diálogo com a “nova mídia”.













