2011: Empresas Vão Preferir o Vídeo

A colunista do Financial Times, Lucy Kellaway, faz uma previsão ousada (mas interessante) sobre o tipo de comunicação que as corporações usarão em 2011. Ela é taxativa: as empresas vão substituir a palavra escrita pelas “imagens em movimento” (leia-se o vídeo) para “comunicar suas mensagens para funcionários, clientes, acionistas e para o mundo”.

O motivo? Simples: o vídeo é mais eficiente. Eu acredito que isso não vá decretar a morte da comunicação escrita, mas de certa forma a colunista tem razão sobre a força das imagens em determinados momentos.  Além das facilidades cada vez maiores oferecidas pela tecnologia (veja o poder do Youtube), as imagens emocionam, atraem, aproximam e tornam mais verdadeiras as informações fornecidas. Quer exemplos? O resgate dos mineiros do Chile e, como lembra a colunista, “a visão do petróleo da BP vazando pelo Golfo do México”. Essas imagens, só para citar duas, foram mais contundentes e verdadeiras do que qualquer palavra escrita por mais brilhante que fosse seu autor.

Lucy Kellaway faz uma ressalva, ela diz que o email continuará sendo importante “como um meio de falar com uma pessoa de cada vez”, mas se o caso for a chamada comunicação de massa, o vídeo será imbatível. De fato, ninguém sabe diferenciar qual email é mais importante naquela imensa lista de mensagens que lotam nossas Caixas de Entrada na internet. Por isso, ela acha que o meio de comunicação que marca a diferença por seu poder de conectar as pessoas, de ligá-las, é o vídeo por onde passam as emoções vivas.

Bem, isso trás algumas questões interessantes, se formos considerar a previsão da jornalista, autora do livro In Office Hour. Uma delas é que as empresas não poderão mais se esconder atrás de comunicados e porta-vozes durante todo o tempo. Como ela mesma diz: “o reinado de 20 anos dos chefes sem rosto chegará ao fim”. Parece óbvio, mas será um enorme desafio. A exposição será maior, mais arriscada e menos confortável.

Os líderes corporativos, mais do que nunca, terão sua imagem confundida com a imagem da própria corporação que eles representam. Se uma não for bem, a outra será imediatamente contaminada. Isso hoje já ocorre, mas de forma mais localizada (com algumas exceções) nas empresas familiares. O que a colunista prevê é que o mesmo acontecerá com as grandes corporações e seus executivos líderes. “Será esperado, cada vez mais, que o grande chefe dê o exemplo; qualquer líder que mostre sinais de fragilidade humana cairá em desgraça”.

Ela adverte: “prepare-se para torcer o nariz em 2011 diante de executivos falando um monte de bobagens que já eram ruins por escrito, mas que vão soar ainda piores na versão falada”….

Em minha opinião, se essa previsão for confirmada, não somos apenas nós, consumidores da informação das empresas que temos que nos preparar, os executivos também terão que ser preparados para esse novo desafio e as conseqüências emocionais e de negócios que ele poderá trazer.

Isso tem jeito de uma bela oportunidade, não acham?

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